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Espiritismo Redivivo

domingo, 12 de junho de 2011

CURA D’ARS


CURA D’ARS

“Sua conversação dirá das diretrizes que você escolheu na vida. Suas decisões, nas horas graves, identificam a posição real de seu espírito”. (André Luiz).

Santo uma nominação humana de uma pessoa que obteve o Céu como recompensa de suas virtudes, bem-aventurado. Palavra de origem latina sanctu, ‘estabelecido segundo a lei’, que se tornou sagrado. A palavra sagrado também deriva do latim sacratu, que se sagrou ou que recebeu a consagração. Concernente às coisas divinas, à religião, aos ritos ou ao culto, sacro e santo. Existe uma interrelação entre as duas palavras como, por exemplo: “inviolável, puríssimo, santo, sacrossanto, profundamente respeitável; venerável; que não deve ser tocado, infringido ou violado. A que não se pode faltar; que não se pode deixar de cumprir”. Pode-se ser considerado um superlativo abstrato sintético sacramentíssimo. A palavra ‘santo’ tem o reforço na sinonímia de quem vive segundo os preceitos religiosos, a lei divina. Diz-se daquele que a igreja canonizou. Puro, imaculado, inocente, respeitável, venerável e venerando. As sinonímias são muito diversificadas para se nominar santo e sagrado, apesar da igreja exigir pelo menos a comprovação de dois milagres.

Segundo a tradição judaico-cristã, atributo de Deus e um dos seus nomes, sublinhando a transcendência da natureza divina.  Aquele que participa da santidade divina pela observância da lei ou pelos sacramentos. Indivíduo que foi canonizado. Nesta acepção a palavra é us. em sua forma normal antes de nomes que principiam por vogal ou H (Santo Antônio, Santo Agostinho, Santo Hilário), usando-se nos outros casos a forma apocopada São: São Bento, São Carlos. A única exceção, rigorosamente, é Santo Tirso, pois as outras duas exceções geralmente lembradas apresentam oscilações: Santo Tomás ou São Tomás; Santo Borja ou (muito mais freqüentemente, ao menos no Brasil) São Borja, que, aliás, como topônimo, ninguém diz de outro modo. Homem muito austero ou de bondade extraordinária. No Brasil está Relacionado às religiões afro-brasileiras e sincretismos dela derivados, outra denominação dos orixás e de algumas outras entidades. Quando relacionamos sincretismo às religiões afro-brasileiras tomaram essa forma, pois os afros estavam impossibilitados de cultuar seus deuses, pois existia uma marcação cerrada da igreja católica e a solução mais viável foi à adaptação de seus deuses aos santos da religião epigrafada.

Na exemplificação e no conteúdo dessa matéria surgiram nomes de alguns santos, mas nossa intenção está ligada a São João Maria Vianney (mais conhecido como Cura d’Ars). Apesar de não ser intelectualizado, esse membro da igreja foi considerado santo vigário, o alto grau de santidade. Seu êxito foi enorme chegando a atrair multidões de várias partes da França e de outros países europeus. Nasceu na pequena localidade de Dardilly, perto de Lyon, na França, no dia oito do mês de maio de 1786. Seus pais eram agricultores bondosos e piedosos. Ele foi consagrado à mãe de Jesus Cristo no próprio dia do seu nascimento e que foi batizado. De 19 de junho desse ano a 19 de junho de 2010, a Igreja católica propõe um ano sacerdotal, um ano de oração pelos padres e um ano de conscientização de seu valor e missão. Esse ano se insere nos 150 anos de morte de São João Maria Vianney, o - Cura d’Ars. Outros detalhes sobre o santo: “Com a subida de Napoleão e a Concordata com a Santa Sé, foi possível a João Maria iniciar seus estudos eclesiásticos aos 20 anos, terminando-os aos 29, depois de mil e uma contrariedades”.


Sua instrução foi precária, pois passou a infância em pleno Terror da Revolução Francesa, com os sacerdotes perseguidos e as escolas fechadas. João Maria tinha 13 anos quando recebeu a Primeira Comunhão das mãos de um sacerdote “refratário” (que não tinha jurado a ímpia Constituição do Clero), durante o segundo Terror, em 1799. Recordar São João Vianney é recordar a comovente simplicidade de um padre cujo único e glorioso título é “O (Cura de Ars)”, o vigário da pequena Ars. Servindo-se de um paradoxo profundamente cristão, em uníssono com uma palavra de Santo Agostinho, ele dizia aos seus paroquianos: “Nós devemos nutrir um grande amor por todos os homens, pelos bons e pelos maus. Quem tem o amor não pode dizer que alguém faça o mal, porque o amor perdoa tudo”. Esse foi seu segredo e é esse segredo que ele passa a quem é cristão: ser rigoroso com o pecado, nunca com o pecador. Quando o jovem sacerdote chegou a Ars, esta era um pequeno aglomerado de casas, contando apenas 250 habitantes, quase todos os agricultores.


Como a maior parte das localidades rurais da França, sacudidas durante 10 anos pelos vendavais da Revolução Francesa, encontrava-se em plena decadência religiosa. Vivia-se um paganismo prático formado de negligência, indiferentismo e esquecimento das práticas religiosas. A cidadezinha de Ars assemelhava-se às paróquias vizinhas, não sendo nem melhor nem pior que elas. Havia nela certo fundo religioso, mas com muito pouca piedade. Como transformá-la num modelo de vida católica, ambição de São João Batista Vianney? Foi ordenado presbítero em 13 de agosto de 1815, com 29 anos foi nomeado coadjutor do Padre Balley, com este competindo na vida de oração, penitência, abnegação e jejum. Foram dois anos preciosos para complementar sua formação cultural e com a graça de ser jovem sacerdote junto a um velho e sábio sacerdote, morto em 1817. Nesses anos não tinha a faculdade de ouvir confissões, pois o julgava incapaz de dirigir consciências. Em 1818 foi nomeado cura (pároco em 1821) da pequena Ars-en-Dombes, com pouco mais de 250 moradores, mais assíduos à taberna e aos bailes que à igreja.


Outra de suas solicitudes foi para com a juventude. Atraía todos para o catecismo. Exigia que este fosse aprendido de cor, palavra por palavra, e só admitia à Primeira Comunhão quem estivesse assim devidamente preparado. Instava com os meninos e adolescentes para que cada um levasse sempre consigo o Rosário, e tinha no bolso alguns extras para aqueles que houvessem perdido o seu. Certo dia de 1818, alguns padres lamentavam, diante do bispo da cidade de Belley, na França a extrema ignorância teológica de um padre, de 32 anos. O padre em questão era ignorante da cultura do século! Tinha sido despedido do primeiro seminário, aos 20 anos, porque não assimilava o latim. A teologia e a liturgia estavam fora do alcance de sua escassa inteligência. Tentara um segundo seminário e pelas mesmas razões, fora recusado. As bondades e os atos praticados pelo vigário chamava a atenção de todos.  Primeiro, pela oração e pelos sacrifícios do vigário por suas ovelhas. Já no dia de sua chegada, o Padre Vianney deu o colchão a um pobre e deitou-se sobre uns sarmentos junto à parede, com um pedaço de madeira como travesseiro.


Como a parede e o chão eram úmidos, contraiu de imediato uma nevralgia que durou aproximadamente 15 anos. Seu jejum era permanente, habitualmente passando três dias sem comer; e quando o fazia, alimentava-se somente de batatas cozidas no início da semana e já emboloradas. Mas ele, sobretudo passava horas e horas - ajoelhado diante do Santíssimo Sacramento, implorando a conversão de seus paroquianos. Uma de suas primeiras medidas práticas foi reformar a igreja que, por respeito ao Santíssimo Sacramento, desejava que fosse a melhor possível. Sua simplicidade e bondade chamava a atenção de todos e muitos jovens da sua época o seguiam com seus exemplos de pureza e bondade. Durante as missas dominicais, pregava sobre os deveres de cada um para consigo, para com o próximo e para com Deus. Falava constantemente do inferno e do que precisamos fazer para evitá-lo: “Ó, meus queridos paroquianos, esforcemo-nos para ir para o Céu. Lá havemos de ver a Deus. Como seremos felizes! Que desgraça se algum de vós se perderdes eternamente!” Ele exigia a devida compostura e atitude própria a bons católicos na igreja, por respeito à Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Foi um eterno guerreiro contra as tabernas e afirmava sempre: “Pobre gente, como sois infelizes. Segui vosso caminho rotineiro; segui-o, que o inferno vos espera”.


Ameaçava-os de não só perderem os bens eternos, mas também os terrenos. Aos poucos, por falta de fregueses, as tabernas foram se fechando. Outros tentaram abri-las, mas eram obrigados a cerrá-las. A maldição de um santo pesava sobre eles: “Vós vereis arruinados todos aqueles que aqui abrirem tabernas”, disse no púlpito. E assim foi. Quando elas se fecharam, o número de indigentes diminuiu, pois se suprimiu a causa principal da miséria, que era moral. Sofreu contra as blasfêmias e pregava sempre contra as conversas obscenas, juramentos, imprecações (Rogo, súplica, praga, maldição) e expressões grosseiras, mas soube contornar tudo isso. A história desse santo é extensa e longa demais, mas estamos apondo apenas o que denotamos ser de importância para quem deseja conhecer mais amiúde a vida do Padre Vianney. “Ele dizia que as pessoas que entram num salão de baile deixam na porta o seu Anjo da Guarda e o demônio o substitui, de sorte que há tantos demônios quantos são os que dançam”.


Ergeu um altar em homenagem a São João Batista, e em seu arco mandou esculpir uma frase que dizia assim: “Sua cabeça foi o preço de uma dança! Os bailes da época, em comparação com os de hoje, sobretudo do pula-pula frenético e imoral do carnaval e as novas danças modernas, eram como que inocentes. Mas era o começo que desfechou nos bailes atuais. A vitória do Padre Vianney neste campo foi total. Os bailes desapareceram de Ars. E não só os bailes, mas até alguns divertimentos inofensivos que ele julgava indignos de bons católicos. Junto a eles combateu também as modas que julgava indecentes na época (e que, perto do quase nudismo atual, poderiam ser - consideradas recatadas!). As moças, dizia, “com seus atrativos rebuscados e indecentes, logo darão a entender que são um instrumento de que se serve o inferno para perder as almas”. Só no tribunal de Deus saber-se-á o número de pecados de que foram causa”. Na igreja jamais tolerou decotes ou braços nus. Nos tempos atuais ainda existem padres que agem da mesma forma que o padre Vianney. Ele foi considerado o patrono dos párocos.  


O Papa Bento XVI convocou um Ano Sacerdotal, por ocasião do 150º aniversário da morte do Santo (Cura d’Ars), proclamado padroeiro dos sacerdotes. O tema escolhido para o Ano Sacerdotal é “fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. A abertura foi em 19 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de Santificação Sacerdotal, em presença da relíquia do Santo - Cura d’Ars. O objetivo, segundo o Papa é “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade”. Não se sabe se por precaução, sua ordenação foi feita, de forma simples, na capela do Seminário Menor de Grenoble e, em seguida, nomearam-no coadjutor do seu antigo pároco para que este lhe completasse a formação. Ali permaneceu por mais três anos. Não aprendeu nem o básico. Quando muito serviria para capelas distantes de pequenas cidades. No período (1786/1814), a França vivia o clima de efervescência dos tempos da Revolução Francesa e da ascensão e queda do império napoleônico.


A razão humana era a nova deusa e entendia-se que, juntamente com sua filha dileta, a Ciência explicaria todos os mistérios. O que não conseguisse explicar seria utopia buscar nos ensinamentos de fé. Todavia, a Santa Madre Igreja caminhava fiel ao Deposito da Fé e a sua missão libertadora. Alguns dos fatos narrados nessa matéria tiveram como fonte os conhecimentos do Padre José Artulino Bessen, professor e historiador do Instituto Teológico de Santa Catarina. Lacordaire e João Maria Vianney! Que enorme distância intelectual os separava. O século fazia apostas no primeiro, mas Deus dispunha, à Sua maneira, dos dois, cada qual numa área especifica. Por essa razão, os padres estavam queixando-se ao bispo de Belley e pela mesma razão o bispo lhes respondera: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”. Na verdade, o Padre Vianney era diferente. A par da simplicidade mais natural e de uma autêntica humildade, irradiava dele algo superior à inteligência, uma forma mais elevada de ver as coisas, que se manifestava nos conselhos que dava no jeito de conversar com as pessoas, de lhes ouvir os problemas e de lhes sugerir soluções ou confortá-las.


Faleceu em 4 de agosto de 1859 com setenta e três anos de idade. Os peregrinos que desejavam confessar-se com ele começaram a chegar. Nos últimos tempos de vida eram mais de 200 por dia, mais de 80.000 por ano. Quando chegou à cidadezinha ninguém veio recebê-lo, quando morreu a cidade tinha crescido enormemente e multidões de peregrinos o acompanharam à última morada. Eram cerca de 100 mil pessoas. A Igreja, que pela lógica humana receara fazê-lo sacerdote, curvou-se a sua santidade. João Maria Vianney foi proclamado Venerável pelo papa Pio IX em 1872, beatificado pelo papa São Pio X em 1905, canonizado pelo papa Pio XI em 1925 e pelo mesmo foi declarado padroeiro de todos os párocos do mundo, em 1929. Esse é o - Santo Cura d’Ars, cuja memória, celebramos no dia 4 de agosto. Brilhante, comovente e de muita inspiração para outros religiosos a vida deste santo padre. Em nossa cidade temos um grande hospital que leva o nome desse santo padre. Pense nisso!


ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI- DA ALOMERCE- DA UBT- DA AVSPE- DA AOUVIRCE- DA ACE

Um comentário:

Emerson José Stadnick disse...

Faça meu favor, em vida o Santo Cura condenou energicamente quer participava do "levantamento de mesas" de Kardec. Conta-se no livro: "O Cura D'ars" (de Francis Trochu), que com a chegada de um amigo seu que tinha participado de uma sessão(por mera curiosidade) o santo mando-o,com grande tristeza, confessar-se. Pois conforme as palavras do padre este penitente "tinha flertado com o diabo". OBS.: Ninguém contou ao cura antecipadamente do ocorrido.
São João Batista Maria Vianney era católico, acreditava em Jesus Cristo e hoje está na glória. Se vivesse no Brasil de hoje, entre muitas coisa, faria muitos sermões enérgicos contra o Espiritismo.

Antonio Paiva Rodrigues

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